A Artemis II fez algo que parece cena deletada de um filme: quatro astronautas deram uma volta na Lua, ficaram mais longe da Terra do que qualquer humano em décadas e ainda voltaram com um álbum de viagem que inclui o raro “pôr da Terra” visto do horizonte lunar e um eclipse solar observado lá de cima. Tudo isso enquanto a nave — uma cápsula Orion — passava por um momento clássico do espaço: ficar sem sinal porque, surpresa, a Lua entra na frente.
O sobrevoo aconteceu na segunda (6) e a Nasa divulgou, na terça (7), as primeiras imagens. Em um dos registros mais “isso não devia existir fora do Photoshop”, aparece o Earthset — o planeta Terra desaparecendo atrás do horizonte lunar, capturado do lado oculto (aquela região que nunca fica voltada para nós).
A missão também bateu recorde de distância: às 14h56 (horário de Brasília), Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen se tornaram os humanos que viajaram mais longe da Terra. A Orion chegou a 406.773 km, superando a marca da Apollo 13 (400.171 km, em 1970). Pouco depois, às 20h02, a cápsula passou a cerca de 6.550 km da superfície lunar.
E não foi “passou e tchau”: durante cerca de sete horas, a tripulação fotografou crateras, planícies e formações, descrevendo a paisagem para cientistas na Terra. Teve até um eclipse solar visto da órbita lunar — o disco da Lua cobrindo completamente o Sol e deixando a coroa solar brilhando ao redor. O tipo de imagem que, na Terra, já é raro; dali, então, é quase “acesso VIP ao universo”.
Os astronautas também comentaram impressões em tempo real: Glover falou do “terminador”, a linha entre luz e sombra na Lua, e Koch descreveu a superfície como um “abajur com minúsculos furos” — poesia científica com cara de quem viu algo que o cérebro ainda está renderizando.
Entre os alvos observados estava a bacia Orientale, uma cratera gigantesca (quase 965 km de diâmetro) formada há cerca de 3,8 bilhões de anos.
Ah, e o “apagão”: ao passar pelo lado oculto, a missão enfrentou cerca de 40 minutos sem comunicação, porque o satélite bloqueia o rádio. Aconteceu nas Apollo, aconteceu na Artemis I e, claro, voltou a acontecer agora — o espaço mantendo suas tradições.
A Nasa: “Vamos mandar imagens inéditas.”
A Lua: “Ok, mas primeiro… fica 40 min no silêncio, pra dar emoção.”
A Artemis II provou que dá para fazer ciência, quebrar recorde e ainda produzir imagens históricas — tudo enquanto a tripulação fotografa com equipamentos profissionais e até iPhone, porque no fim das contas o ser humano vai ao espaço… e continua sendo o ser humano: viu coisa linda, primeiro instinto é registrar.
