Se você cresceu nos anos 80 ou 90, provavelmente já viu a foto: Michael Jackson, o maior artista do planeta, andando de mãos dadas com um chimpanzé vestido igual a ele: Bubbles. E ele não era apenas um bichinho de estimação; era uma celebridade.
Mas o que acontece quando o chimpanzé se aposenta dos holofotes?
De laboratório a estrela do pop
A história começa em 1983, num centro de pesquisa biomédica no Texas. Bubbles tinha apenas oito meses quando foi comprado por Michael Jackson de um treinador de animais de Hollywood. O preço? Nada módico: US$ 65 mil.
De cara, o filhote foi para a casa da família Jackson em Encino, Los Angeles. Mas quando Michael se mudou para o lendário Rancho Neverland, em 1988, Bubbles foi junto e ganhou um lugar no quarto do cantor, onde dormia num berço e usava o banheiro do Rei do Pop.
Durante os anos de ouro, Bubbles tinha uma rotina que muita gente rica invejaria. Viajou pelo mundo nas turnês de Michael, apareceu no clipe de Liberian Girl entre diversas celebridades e, aos quatro anos de idade, tomou chá com o prefeito de Osaka, no Japão.

Chegou a ser convidado para o casamento do advogado pessoal de Michael, John Branca. Jon Bon Jovi, em entrevista ao programa de Jimmy Kimmel em 2024, recordou que Bubbles “curtia como um rockstar”. Um chimpanzé. De turnê. Com agenda social.
O problema com chimpanzés é que eles crescem. E quando crescem, mudam (e muito).
Em 2003, Bubbles já era um primata adulto com mais de 70 kg, comportamento imprevisível e força física incompatível com a vida doméstica. Não era mais o filhotinho fofo das fotos. Era um animal selvagem vivendo numa situação que não era adequada para ele.
Michael o enviou para um treinador de animais na Califórnia. Quando esse treinador encerrou as atividades, em 2004, Bubbles foi transferido para o Center for Great Apes, um santuário em Wauchula, na Flórida. Chegou em 2005 e está lá até hoje.
A vida tranquila de um ex-astro
Hoje, Bubbles tem 43 anos e pesa cerca de 84 kg. E sua rotina é o oposto absoluto das turnês mundiais.
Ele acorda cedo, passeia pelas trilhas aéreas do santuário, almoça com seus companheiros de grupo: Oopsie, Boma, Kodua e Stryker. E, segundo a diretora do santuário, Patti Ragan, faz seu ninho para dormir por volta das 18h.
Mas tem mais: Bubbles desenvolveu uma paixão por pintura. O chimpanzé passa horas criando quadros coloridos e só entrega a obra quando considera que está finalizada.
A diretora o descreve como tímido, porém cativante, um “líder calmo” dentro do grupo.
Agora vem um detalhe que poucos sabem: o espólio de Michael Jackson ainda financia os cuidados de Bubbles. Mesmo depois da morte do cantor, em 2009 — quando Patti Ragan revelou que Michael tinha planos de visitar o chimpanzé antes de falecer —, o dinheiro continua chegando para garantir que o animal tenha tudo que precisa até o fim da vida.
O santuário não permite visitas com contato físico. Ninguém chega perto de Bubbles. Ninguém tira selfie. E quando uma imagem falsa, gerada por inteligência artificial, viralizou nas redes mostrando Jaafar Jackson (sobrinho de Michael e protagonista da cinebiografia lançada em 2026) ao lado do chimpanzé, o santuário foi rápido em desmentir:
“Como santuário credenciado, o bem-estar dos primatas vem sempre em primeiro lugar. Não permitimos contato físico”, disse a instituição em nota oficial.
A história de Bubbles é fascinante, mas também é um alerta. Chimpanzés parecem dóceis quando filhotes: são fofos, expressivos, aprendem comportamentos humanos com facilidade. Mas são animais selvagens complexos, com necessidades sociais e comportamentais que nenhum rancho de celebridade consegue suprir.
Bubbles teve sorte e foi parar num santuário sério, com recursos e cuidados de qualidade. Infelizmente, muitos outros primatas que viveram como “pets” de famosos não tiveram o mesmo destino.
Hoje, após duas décadas no Center for Great Apes, ele finalmente encontrou o que talvez Michael Jackson também tivesse buscado a vida inteira: um lugar tranquilo, longe do mundo, onde ninguém te julga.
